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Por que as maiores empresas de e-commerce estão deixando de competir para começar a cooperar

Victor Mathos

Victor Mathos

Especialista em E-commerce · 13/06/2026 · 5 min

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Pessoas trabalhando em um escritório moderno com telas mostrando dados de e-commerce e logotipos de parcerias corporativas.

Em junho de 2026, o cenário que vemos no e-commerce brasileiro é radicalmente diferente do que desenhávamos há cinco anos. Se antes a dinâmica era de "guerra de trincheiras" por cada centavo de market share, hoje operamos sob a lógica dos ecossistemas. O anúncio histórico da parceria entre Magalu e Amazon, que começou a ganhar corpo nos últimos anos e se consolidou em 2025, foi o divisor de águas: empresas que antes eram arquivinimigas passaram a compartilhar prateleiras, logística e, principalmente, dados.

Mas por trás dessa fachada de "paz e amor" corporativa, existe uma estratégia de sobrevivência sofisticada. Por que as maiores empresas de e-commerce estão deixando de competir para começar a cooperar? A resposta curta é que o custo de captar um novo cliente no ambiente digital saturado de 2026 tornou-se proibitivo. Para gigantes como Magalu, Mercado Livre e Amazon, colaborar não é uma escolha ética, mas uma necessidade matemática para otimizar o estoque e a última milha de entrega.

A Era dos Ecossistemas: O Fim do Isolamento Digital

O conceito de plataforma isolada morreu. Hoje, o mercado é dominado por estratégias de marketplace que priorizam a onipresença. Quando o Magalu decide vender seus produtos de "cauda longa" (eletrônicos e eletrodomésticos) dentro da Amazon, e a Amazon utiliza a capilaridade logística do Magalu para chegar a cidades do interior do Nordeste, elas estão admitindo que ninguém consegue ser excelente em tudo sozinho.

Essa transição para um ecossistema digital integrado permite que as marcas foquem em suas competências centrais. Enquanto uma detém a tecnologia de busca e o Prime Video como isca de retenção, a outra possui centenas de pontos físicos que funcionam como micro-hubs logísticos. No varejo moderno, a competição agora é entre "blocos econômicos" digitais, e não mais entre sites individuais.

O Risco Oculto: A "Armadilha" do Canal Alugado

Embora a cooperação entre gigantes gere eficiência, ela acende um alerta para os médios e grandes sellers que operam dentro desses ambientes. Viver exclusivamente dentro de um marketplace é como construir um castelo em terreno alugado. Em 2025, vimos diversos casos de marcas brasileiras que sofreram com mudanças repentinas de algoritmos ou taxas de comissão que inviabilizaram a operação do dia para a noite.

O futuro do e-commerce sugere que o marketplace deve ser encarado como um canal de aquisição (topo de funil), e não como a morada final do cliente. Depender 100% de terceiros significa:

  • Não ser dono do dado do cliente (o CRM é do marketplace).
  • Ficar sujeito a alterações de regras e políticas sem aviso prévio.
  • Ter sua marca diluída em meio a ofertas de concorrentes que estão a um clique de distância.

Marketplace vs. Canal Próprio: O Equilíbrio Necessário

As empresas que mais cresceram entre o ano passado e 2026 foram aquelas que entenderam o "efeito trampolim". Elas usam a tração de busca do Mercado Livre ou da Shopee para apresentar o produto ao consumidor, mas investem pesado para que a segunda compra ocorra em um canal próprio.

Abaixo, veja uma comparação do papel de cada canal na estratégia atual:

AtributoMarketplace (Canal Alugado)Mobile / App Próprio (Canal Direto)
AudiênciaJá está lá (Massiva)Precisa ser construída/trazida
Custo de AquisiçãoComissão por venda (Variável)Investimento em LTV e Retenção
DadosLimitados e anonimizadosTotais (Zero-party data)
ComunicaçãoVia plataforma (Limitada)Push notificações e CRM direto
FidelidadeDo cliente ao marketplaceDo cliente à marca

Casos Reais: A Transição do "Vendedor" para "Marca"

Vejamos o exemplo de grandes players de nicho, como a Centauro ou a Netshoes. Mesmo integradas a grandes estratégias de marketplace, elas mantêm ecossistemas próprios robustos. Por quê? Porque no app próprio a taxa de conversão em 2026 chega a ser até 5x maior que na web mobile tradicional.

A Shopee e a Temu ensinaram ao mercado brasileiro que a retenção não se faz com e-mail marketing, mas com formação de hábito. Essas empresas não querem que você as procure no Google; elas querem que você clique no ícone que já está na tela inicial do seu celular. A cooperação entre gigantes (como Amazon e Magalu) serve para dominar o volume, mas o lucro real das marcas está em quem consegue migrar esse usuário para um ambiente controlado e sem distrações.

Estratégias para 2026 e 2027: Fugindo da Guerra de Preços

Para não ser engolido pela cooperação das grandes, o varejista médio precisa focar em três pilares:

  1. Diferenciação via Serviço: Se você vende o mesmo produto que a Amazon, entregue uma experiência que ela não consegue, como uma curadoria super especializada ou suporte técnico humano.
  2. Tecnologia de Proximidade: Use o marketplace para o primeiro contato e ofereça benefícios exclusivos (cashback, frete grátis eterno, brindes) para quem baixar seu canal próprio.
  3. Dados como Ativo Financeiro: Em 2026, uma base de leads vale mais do que o estoque físico. Saber quem é o seu cliente, o que ele compra e quando ele vai precisar de reposição é o que separa as marcas sustentáveis das que vão quebrar na próxima subida de juros.

Conclusão: A Nova Ordem do Varejo Digital

A cooperação entre as maiores empresas de e-commerce prova que o mercado amadureceu. A briga não é mais para expulsar o concorrente, mas para cercar o consumidor por todos os lados. No entanto, para o empresário que está do outro lado da tela, essa "união" das gigantes aumenta a pressão por margens.

A saída para o crescimento sustentável não é escolher entre marketplaces ou site próprio, mas sim entender o papel de cada um. O marketplace gera o volume e a descoberta; o seu canal próprio gera a margem e a recorrência. Sem uma estratégia clara de retirada do cliente do canal alugado para o controle da marca, você continuará apenas financiando o crescimento dos ecossistemas alheios.

Muitas marcas líderes já entenderam que a melhor forma de se proteger desse duopólio cooperativo é estabelecendo um relacionamento direto e mobile-first com sua base. É por isso que investir em canais próprios, como aplicativos e experiências mobile nativas, tornou-se o principal diferencial estratégico deste ano.

Para entender como criar seu próprio ecossistema de retenção e parar de depender apenas de terceiros, conheça o que a Converta pode fazer pela sua operação Converta. Se você já utiliza plataformas como Shopify ou Nuvemshop, veja como potencializar sua marca em app para ecommerce.

Perguntas frequentes

Por que grandes concorrentes do e-commerce estão cooperando?

A cooperação entre gigantes, como Amazon e Magalu, permite reduzir custos logísticos, compartilhar estoques e aumentar a penetração em regiões onde uma marca é mais forte que a outra.

Qual o perigo de vender apenas em marketplaces?

O maior risco é a dependência do algoritmo e das taxas da plataforma, além de não possuir os dados do cliente, o que impede estratégias de retenção a longo prazo.

Como equilibrar marketplace e canal próprio em 2026?

O equilíbrio ideal é usar marketplaces para aquisição de novos clientes (topo de funil) e canais próprios (como apps e sites) para fidelização e recompra com maior margem.

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